O Bezerro de Ouro

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Discursos moralizantes podem fazer líderes ascenderem ao poder, mas representam também a maior fragilidade deles. A história é farta em exemplos.

Jimmy Swaggar se tornou o maior tele-evangelistas americano. No dia que foi fotografado com uma prostituta, seu império ruiu. Sem perdão, foi enxovalhado mundialmente por quem mais o admirava e por quem dele mais se beneficiou.

Políticos como Jair Bolsonaro não têm nada além do falso moralismo que empregam como plataforma política. Sem conteúdo, sem propostas consistentes, o terror psicológico utilizado contra as pessoas mais simples foi o instrumento para atrair apoio popular. O fantasma do comunismo e os riscos à inocência das crianças, suas armas preferenciais.

Enquanto houve prosperidade econômica, os mais conservadores continuaram votando no PT, mesmo discordando de pontos de vistas que contrariavam suas crenças. Veio a crise econômica e o pacto se desfez. Os escândalos de corrupção constituíram-se o motivo perfeito. Sem prosperidade, sem perdão. O cenário era o ideal para emplacar o medo e a mentira como instrumentos eleitorais.

Era o momento oportuno para trazer novamente as questões morais para o centro do debate. Bolsonaro o fez com maestria, incutiu terror na mente de evangélicos, católicos e da classe média. Esta última, também conservadora, sempre vítima da ilusão que a faz olhar para si como “elite”.

Ocorre, todavia, que os problemas reais do país não se resolvem com mágica. O governo do militar da reserva poderá ruir no primeiro escândalo de corrupção que surgir. O “mito”, não por acaso assim exaltado, pode ser desfeito com a mesma facilidade com que foi construído.

Ele é mais um dos bezerros de ouro da política. Após erigidos, são cultuados fanaticamente como se fossem divindades. Os milagres prometidos, todavia, não virão porque falsos deuses não sabem operá-los. E, neste contexto, falhas morais são ainda mais inaceitáveis.

Com a mesma intensidade que depositam fé, fanáticos religiosos destilam ódio ao se sentirem traídos. Sua natureza então o fará “pecar”. E quando sua humanidade for descoberta, o ídolo se desfará. Não é profecia. É o curso natural de um enredo que já é antigo e repetitivo na história dos países e instituições.

Foi assim com o pastor Jimmy. Ao assumir seu erro, isto não lhe trouxe perdão.

A confissão de Swaggart teve ainda maior impacto contra ele, já que o próprio havia desencadeado, meses antes, um furioso ataque contra seu rival, o também tele-evangelista de TV, Jim Bakker, por este ter cometido adultério com a secretária. Bakker foi posteriormente expulso da igreja e demitido de seu ministério na TV. O PT é o Bakker do Bolsonaro.

A falta de perdão dos fiéis decorre do fato de que aqueles que não seguiram a onda passarão a vê-los como cúmplices idiotizados. Ao atacar o bezerro de ouro, na verdade, querem resgatar a própria honra.

Ídolo e idólatras sucumbem.

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