Bolsonaro e a mudança da embaixada para Israel: a motivação religiosa por trás da proposta.

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O mundo político, especialmente os partidos de esquerda, tem sido surpreendido com algumas bandeiras levantadas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, seus filhos e indicados para ministérios. A vitória do candidato do PSL teve a participação decisiva de líderes de igrejas evangélicas e, como era de se esperar, o governo carregará forte influência religiosa, ainda que insistamos no princípio constitucional de um estado laico. A surpresa indica a lacuna existente entre o campo progressista e os protestantes brasileiros.

Dentre as polêmicas levantadas, está a que gira em torno da mudança da embaixada brasileira para Jerusalém. O que une Trump e o presidente eleito do Brasil neste aspecto também tem um fundo religioso. Antes que você se apresse em falar dos interesses econômicos americanos, eu preciso te lembrar que a religião não pode estar a parte em análises geopolíticas.

O povo americano, de tradição protestante, carrega traços culturais oriundos da influência dos líderes evangélicos sobre os seus governantes. Muitas destas dominações veem em Israel um instrumento de bênção para as nações. É que elas seguem uma corrente teológica chamada “dispensacionalismo”.

Por que os evangélicos dão tanta ênfase a Israel? Ao ler um pouco sobre o dispensacionalismo teológico, você vai compreender, por exemplo, as razões de Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e a bancada evangélica falarem tanto na terra dos judeus.

No dispensacionalismo, muito disseminado nas igrejas pentecostais, acredita-se que Deus tem um propósito separado e um modo distinto de lidar com o seu povo escolhido: Israel. A compreensão de “nação eleita” se atém, portanto, a questão geográfica.

Nesta linha doutrinária, defende-se a ideia de que Deus suspendeu, por um tempo, seus propósitos específicos para Israel e destinou atenção especial para a salvação dos gentios ou povos não judaicos. Existem diferentes correntes dentro do dispensacionalismo. Uma das mais difundidas é que Deus irá arrebatar a igreja, composta dos crentes de todo o mundo, para depois voltar-se para Israel onde cumpriria Seu propósito especial para aquele povo.

Enfim, preciso deixar claro que igrejas reformadas e históricas são majoritariamente contra esta linha de interpretação. Elas vêm judeus e gentios convertidos ao cristianismo como uma só igreja, um só povo. Israel é então a Igreja do Antigo Testamento (Rm3: 29-30).

Quando você vir, por exemplo. bandeiras de Israel em templos evangélicos, ou ainda castiçais, shofar, “templo de Salomão”, etc., saiba: estarás diante de uma igreja dispensacionalista.

A tradição da política americana tem influência religiosa, mas os interesses em Israel também são outros. Já Bolsonaro e cia o fazem crendo em bênçãos especiais, prometidas por exemplo a quem orar por Israel (Salmo 122:6).

Aqui, um artigo teológico sobre o tema.

 

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