A imprensa e o atentado em Suzano

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Na semana passada, o país se chocou com a tragédia ocorrida em Suzano, no interior de São Paulo. O fato infelizmente não é novo. O Brasil já havia experimentado a dor do atentado em Realengo, no Rio de Janeiro. O mundo, vez por outra, chora as mortes em escolas americanas.

Especialistas têm discutido o papel da imprensa no trato com estes episódios. Em comum, a opinião de que os jovens cultivam relações de amizades, valores e cultos à personalidade no submundo da Internet. Estes espaços revelam ideias que transformam vingança e suicídio em virtudes a serem aplaudidas.

Portanto, quando jovens decidem praticar o atentado, eles buscam a admiração dos seus pares, ainda que isto lhes custe a vida. Esta é a razão pela qual anunciam, filmam ou transmitem os atos.

Conclui-se, por óbvio, que a pior forma de tratar tais eventos é expor os autores e humanizá-los em longas matérias de televisão, portais ou capas de jornais. Isto seria dar a eles o que buscam.

E foi exatamente assim que, infelizmente, agiu a grande mídia. De tudo se viu, até a perseguição sádica de um repórter a mãe de um dos atiradores.

As vítimas viraram um número, uma estatística, enquanto os algozes foram mostrados como alvos de bullying, pessoas envoltas em sofrimento, quase que justificando-os pelo ato criminoso.

É evidente que o bullying precisa ser discutido, que os dramas dos jovens do nosso tempo devem ser estudados e que a masculinidade tóxica seja alvo de debates (só meninos até hoje praticaram atentados), mas a abordagem da imprensa precisa ser repensada na forma e conteúdo.

No mundo das relações líquidas, o ódio virou a válvula de escape para as angústias humanas, a idolatria às armas é motivo de orgulho e uma cultura de violência vem se alastrando porque tudo hoje nos polariza, antagoniza, separa e nos põe em pé de guerra.

Imprensa, educadores, gestores públicos e universidades têm o dever de aprofundar as discussões sobre como lidar como este novo e sombrio cenário. Pelos últimos acontecimentos, já sabemos como não fazer.

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