NÃO HÁ DEUSES NA POLÍTICA

Brazil's Justice Minister Sergio Moro attends a session of the Public Security commission at the National Congress in Brasilia

“Eu vejo, eu ouço”, foi o que tuitou Sérgio Moro sobre os movimentos de rua realizados em seu apoio, neste 30/06, após o escândalo dos vazamentos de conversas secretas da Lava Jato, reveladas pelo The Intercept. Ele traz para si expressões que Deus usou, no Êxodo, para se referir ao sofrimento do povo de Israel no Egito.

Nota o perigo por trás disso? A passagem está em Êxodo 3:7 e diz:

“E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores”.

De uns tempos para cá, a política brasileira tem ganhado ares de teocracia e as ruas se assemelham a procissões. A um chamaram de “mito”, o mesmo a quem, se valendo do sobrenome, trataram como messias. Ao ex-juiz, adjetivaram de “enviado de Deus”, com expressão também messiânica.

Moro e Bolsonaro gostaram da ideia. O presidente, não foram poucas as vezes, já discursou assumindo o seu mandato como missão divina. Já o ex-juiz e atual ministro resolveu aparentemente seguir o mesmo caminho.

A não ser que você considere que a política seja feita por anjos, estamos diante de algo extremamente perigoso. Se eles divinizam seus postos, o que são os que se levantam contra eles?

Eis a artimanha. Num país religioso, pretendem demonizar seus opositores.

A política, amigos, não é feita por anjos ou demônios. Ela é constituída por homens, todos falhos, todos susceptíveis ao erro, todos com virtudes e defeitos.

Numa democracia, ninguém deveria trazer para si o escudo da divindade. Líderes podem e devem ser criticados, podem e devem sofrer oposição, podem e devem ser questionados.

Moro falou de si mesmo como um deus e tentou acalentar àqueles que, em seu nome, “sofriam”. Já Bolsonaro cita João 8:32 como se somente ele fosse o porta-voz da verdade. Ambos portam-se como ídolos.

Todavia, com a própria Bíblia aprendemos o fim dos falsos deuses, dos ídolos feitos por homens e mulheres. Como o bezerro de ouro, eles caem pelas mãos dos seus próprios adoradores.

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